Publicada hoje, Segunda-feira, 02/03/2026
Segurança
O que diz a Ciência sobre vigiar o ex nas redes sociais
O movimento quase automático de pegar o celular e dar uma conferida na vida de um ex-parceiro, logo após o rompimento, diz muito sobre os sistemas de recompensa do cérebro e suas ciladas

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Checar as redes sociais do ex é um clássico de fim de relacionamento. Com quem a pessoa está? Já superou e vive bem? A busca por alguma pista ou conforto pode render horas e virar uma rotina, que para alguns parece inofensiva – até mesmo útil, uma forma de se manter informado.

Mas, na última década, pesquisas na área da psicologia pintaram um quadro menos reconfortante: verificar repetidamente as redes sociais de um ex-parceiro não alivia a dor do rompimento. Na verdade, muitas vezes contribui para manter a dor viva.

"Ao procurar seu ex online, você está fortalecendo as conexões cerebrais que deveria estar tentando enfraquecer", diz Joanne Davila, psicóloga clínica da Stony Brook University, em Nova York.

Recuperação mais difícil

Estudos na área de ciberpsicologia e comportamento humano tendem a associar a "vigilância do ex-parceiro" nas redes sociais a uma recuperação emocional mais difícil após o término, incluindo níveis mais altos de angústia, saudade mais intensa e menos crescimento pessoal.

"Essas conclusões são indicadores de que os indivíduos não superaram", disse Michelle Drouin, professora de psicologia da Universidade Purdue Fort Wayne, em Indiana, EUA. "Isso impede a recuperação e aumenta o trauma emocional ou a conexão com o parceiro anterior."

A dor emocional nos leva a verificar constantemente o ex-parceiro nas redes sociais, o que mantém esse sofrimento vivo – ciclo difícil de ser quebrado. Os seres humanos são programados para buscar informações, e rompimentos criam um vácuo, que de alguma forma buscamos preencher.

Aí vêm as redes sociais, com seu vasto conteúdo entregue de bandeja. "A internet é difícil para quem busca informações", diz Drouin. "Podemos procurar tudo o que quisermos."

Após um rompimento, o "sistema de apego" do cérebro é ativado. É o que acontece "quando não nos sentimos seguros", explica Davila. "Procurar online pode ser visto como um comportamento de apego", especialmente em pessoas que foram abandonadas.


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