

A entrada em vigor das atualizações da NR-1, marcada para 26
de maio, deve mudar a forma como as empresas tratam saúde e segurança no
trabalho. Com a nova diretriz do Ministério do Trabalho e Emprego, os riscos
psicossociais passam a ganhar espaço formal na rotina de prevenção das
organizações, exigindo atenção maior a fatores como pressão por resultados,
excesso de carga de trabalho, conflitos internos e ambientes que favorecem
desgaste emocional.
O problema é que boa parte do mercado ainda não sabe
exatamente como colocar essa exigência em prática. Um levantamento recente da
consultoria de recursos humanos Heach mostra que 68% das empresas admitem não
compreender plenamente o que será exigido com a nova regra. O dado acende um
alerta, porque o prazo de adaptação está próximo e a mudança vai além de
ajustes burocráticos: ela exige revisão de processos, acompanhamento mais
estruturado do ambiente organizacional e uma postura preventiva diante dos riscos
à saúde mental dos trabalhadores.
Hoje, muitas empresas ainda reagem apenas quando a situação
já se agravou. Segundo o mesmo levantamento, 58% das organizações só tomam
providências diante de cenários crÃticos, como afastamentos, denúncias formais
ou disputas judiciais. Com a nova NR-1, essa lógica tende a perder espaço, já
que a norma reforça a necessidade de identificar sinais de risco antes que eles
se transformem em passivo trabalhista, queda de produtividade ou aumento do
adoecimento ocupacional.
Na prática, isso significa que saúde mental deixa de ser um
tema periférico e passa a integrar a gestão de riscos corporativos. O desafio
não está apenas em reconhecer problemas já instalados, mas em criar mecanismos
para monitorar padrões, mapear fatores organizacionais e agir de forma
contÃnua. A empresa que mantiver uma atuação improvisada ou limitada a casos
isolados corre o risco de não atender ao novo padrão exigido.
A mudança também tem reflexos financeiros e operacionais.
Questões ligadas à depressão e ansiedade já afetam o desempenho das empresas no
mundo todo, com perda anual de bilhões de dias de trabalho e impacto econômico
trilionário. Nesse contexto, a adaptação à NR-1 não deve ser vista apenas como
obrigação legal, mas como medida de gestão, com potencial para influenciar
produtividade, retenção de talentos, rotatividade e custos relacionados a
afastamentos e atendimento de saúde.
Outro ponto que tende a ganhar importância é o uso de dados
para acompanhar o ambiente de trabalho. A nova fase da norma exige que as
empresas tenham mais capacidade de análise, comparação e monitoramento interno,
transformando informações sobre comportamento organizacional, saúde ocupacional
e bem-estar em base para tomada de decisão. Mais do que cumprir uma
formalidade, a tendência é que as organizações precisem estruturar processos
permanentes de observação e prevenção.
Para o setor empresarial, a atualização da NR-1 representa
uma virada de chave. O foco sai da resposta emergencial e passa para a
prevenção. E, diante do nÃvel de desconhecimento ainda existente, as próximas
semanas devem ser decisivas para que empresas, áreas de RH, SESMT e lideranças
revejam práticas internas e acelerem a adequação antes que a nova exigência
comece a valer.
Com informações adaptadas Exame Carreira