Publicada Quarta-Feira, 29/04/2026
DADOS
Mulheres ocupam 40,5% dos empregos em grandes empresas no Piauí, mas ainda ganham menos
Participação feminina cresce no mercado formal, mas diferença salarial chega a 7,9% no estado

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As mulheres ocupam 40,5% dos vínculos empregatícios em empresas com 100 ou mais funcionários no Piauí, segundo dados do 5º Relatório de Transparência Salarial divulgados pelo governo federal. Apesar do avanço na participação, a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda persiste no estado.

Ao todo, são 45,8 mil mulheres empregadas nesse tipo de estabelecimento, de um total de 113,2 mil vínculos formais. Os homens representam a maioria, com 67,3 mil postos de trabalho.

 

Diferença salarial ainda é realidade

 

Mesmo com maior presença no mercado, as mulheres seguem recebendo menos que os homens no Piauí.

De acordo com o levantamento, a remuneração média feminina é de R$ 2.680,35, enquanto a dos homens chega a R$ 2.911,49, uma a diferença de 7,9%.

O cenário é ainda mais desigual quando se observa o recorte racial. Mulheres negras recebem, em média, R$ 2.505,01, enquanto mulheres não negras têm rendimento médio de R$ 3.501,35.

Entre os homens, os salários também variam: homens negros ganham, em média, R$ 2.734,27, enquanto homens não negros recebem cerca de R$ 3.980,96.

 

Presença feminina cresce, principalmente entre mulheres negras

 

O relatório aponta que o mercado de trabalho formal tem ampliado a participação feminina nos últimos anos, com destaque para mulheres negras.

No Brasil, o número de mulheres pretas e pardas empregadas em grandes empresas cresceu 29% entre 2023 e 2025, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, mais de 1 milhão de novas vagas ocupadas.

No Piauí, esse grupo representa a maioria entre as mulheres empregadas em grandes empresas: 82,5% dos vínculos femininos são ocupados por mulheres negras.

 

Políticas de incentivo ainda são limitadas

 

Os dados também mostram que ainda há espaço para avanço nas políticas de inclusão dentro das empresas.

No Piauí, 21,5% dos estabelecimentos com mais de 100 empregados adotam alguma política de incentivo à contratação de mulheres.

Entre as ações identificadas estão:

  • incentivo à contratação de mulheres com deficiência (14,9%)
  • políticas voltadas a mulheres negras (15,2%)
  • contratação de mulheres LGBTQIAP+ (12,2%)
  • apoio a mulheres vítimas de violência doméstica (5%)

 

Desigualdade persiste no cenário nacional

 

O cenário do Piauí acompanha uma tendência nacional. No Brasil, as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado, mesmo com o aumento do emprego feminino.

Apesar disso, especialistas apontam que a ampliação da presença das mulheres no mercado formal é um passo importante para reduzir desigualdades ao longo do tempo, especialmente quando associada a políticas públicas e iniciativas dentro das empresas.

 

Desafio vai além do salário

 

O relatório destaca que a desigualdade não se resume apenas à remuneração, mas também envolve acesso a oportunidades, crescimento na carreira e condições de trabalho.

A presença maior de mulheres no mercado, especialmente em grandes empresas, indica avanço, mas os dados mostram que ainda há desafios importantes para alcançar maior equilíbrio entre homens e mulheres no ambiente profissional.