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Renda do trabalhador piauiense cresce 16%, mas estado ainda tem um dos menores salários do país

Levantamento do IBGE aponta aumento da renda em 2025, mas mostra que Piauí ainda enfrenta baixa remuneração e alta dependência de programas sociais

A renda média mensal dos trabalhadores piauienses cresceu 16% em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio proveniente do trabalho chegou a R$ 2.561 no estado, um aumento de R$ 361 em relação a 2024.

Apesar da alta, o Piauí ainda aparece entre os estados com os menores salários do Brasil. O valor recebido pelos trabalhadores piauienses segue quase R$ 1 mil abaixo da média nacional, que atingiu R$ 3.560 em 2025.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), que analisou os rendimentos da população brasileira ao longo do último ano.

Trabalho ainda é principal fonte de renda

Mesmo com o crescimento da renda, o levantamento mostra que o mercado de trabalho no estado ainda enfrenta dificuldades. Em 2025, apenas 38,3% da população piauiense recebeu rendimento proveniente do trabalho, índice que caiu 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

O Piauí registrou o quarto menor percentual do país de pessoas com renda do trabalho, ficando à frente apenas de Alagoas, Acre e Maranhão.

Ainda assim, os rendimentos do trabalho continuam sendo a principal fonte de renda da população piauiense. Segundo o IBGE, 63,9% de toda a renda recebida no estado veio do trabalho em 2025.

Cresce número de pessoas com algum rendimento

A pesquisa também aponta que o percentual de piauienses com algum tipo de rendimento chegou a 65% da população, o maior índice da série histórica iniciada em 2012.

O crescimento ocorre pelo oitavo ano consecutivo no estado.

Além dos salários, os rendimentos incluem aposentadorias, pensões, aluguel, programas sociais e outras fontes de renda.

Dependência de programas sociais segue alta

O levantamento mostra ainda que o Piauí continua sendo o estado brasileiro com maior percentual de pessoas recebendo programas sociais do governo.

Em 2025, 17,2% da população recebeu algum benefício social, percentual bem acima da média nacional, que foi de 9,1%.

Entre os principais programas estão o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo o IBGE, cerca de 38,4% dos domicílios piauienses tinham ao menos um morador beneficiário do Bolsa Família em 2025, o equivalente a aproximadamente 448 mil residências.

Diferença entre salário e benefício social

Os dados também evidenciam a diferença entre a renda do trabalho e os valores pagos por programas sociais.

Enquanto a renda média do trabalhador piauiense foi de R$ 2.561, os beneficiários de programas sociais receberam, em média, R$ 790 mensais.

O valor representa menos de um terço da renda obtida através do trabalho.

Para o movimento sindical, os números reforçam a necessidade de fortalecimento das políticas de geração de emprego, valorização salarial e ampliação dos direitos trabalhistas, especialmente em estados com forte desigualdade social e baixa renda média como o Piauí.

Sindicato dos Empregados no Comercio e Serviços de Teresina