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A taxa de desocupação voltou a subir no Piauí no primeiro trimestre de 2026 e o estado passou a registrar a quinta maior taxa de desemprego do país, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), nesta quinta-feira (14).
De acordo com o levantamento, o desemprego atingiu 8,9% da força de trabalho piauiense entre janeiro e março deste ano, alta de 0,9 ponto percentual em relação ao último trimestre de 2025. Apesar do aumento, o índice ainda representa o menor percentual registrado para um primeiro trimestre desde 2015.
O cenário acompanha um movimento nacional. Em todo o Brasil, a taxa de desocupação subiu para 6,1% no período, após o encerramento de vagas temporárias criadas no fim do ano passado, especialmente nos setores de comércio e serviços.
Entre os estados brasileiros, apenas Amapá (10%), Bahia (9,2%) e Alagoas (9,2%) apresentaram índices superiores aos do Piauí.
Os dados do IBGE também mostram que o Piauí segue entre os estados com menor participação da população no mercado de trabalho. O chamado nível de ocupação ficou em 48,7%, o sétimo menor do país.
Na prática, isso significa que, a cada 100 piauienses com mais de 14 anos, apenas 49 estavam trabalhando ou procurando emprego no primeiro trimestre de 2026. Os outros 51 permaneciam fora da força de trabalho.
O índice piauiense está quase dez pontos percentuais abaixo da média nacional, que foi de 58,2%.
Entre as pessoas que estão fora da força de trabalho estão estudantes, aposentados, donas de casa, pessoas doentes e também trabalhadores desalentados, que desistiram de procurar emprego.
O levantamento aponta ainda que a principal forma de ocupação no estado continua sendo o trabalho por conta própria sem CNPJ, modalidade marcada pela informalidade e ausência de garantias trabalhistas.
Ao todo, 305 mil piauienses trabalham como autônomos sem registro formal, o equivalente a 22,8% de todas as pessoas ocupadas no estado. O grupo inclui atividades como motoristas de aplicativo, manicures, vendedores ambulantes, pedreiros, eletricistas e entregadores.
O percentual é superior à média nacional, que ficou em 18,3%.
Já os empregados do setor privado com carteira assinada representam 21,7% dos trabalhadores piauienses, cerca de 291 mil pessoas. No Brasil, esse grupo corresponde à maior parcela da população ocupada, chegando a 38,6%.
Outro dado que chamou atenção na pesquisa foi a redução do número de trabalhadores domésticos sem carteira assinada no Piauí.
Segundo o IBGE, o estado saiu de 92 mil trabalhadores domésticos informais no primeiro trimestre de 2025 para 69 mil no mesmo período deste ano, uma redução de quase 25%.
Apesar da queda, o número de trabalhadores domésticos formalizados praticamente permaneceu estável, passando de 10 mil para 11 mil pessoas no período analisado.
Os dados indicam que parte desses trabalhadores deixou o serviço doméstico, migrou para outras ocupações ou passou a integrar o grupo de desempregados.
Os números reforçam desafios históricos do mercado de trabalho no Piauí, como a alta informalidade, a baixa inserção produtiva e a dificuldade de acesso ao emprego formal.
Especialistas apontam que a ampliação de postos de trabalho com carteira assinada, políticas de qualificação profissional e fortalecimento da renda continuam sendo fatores essenciais para melhorar os indicadores no estado.

