A proposta que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil
avançou mais um passo nesta segunda-feira (25), após acordo entre o governo
federal e lideranças da Câmara dos Deputados. O texto da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) estabelece que trabalhadores passem a ter dois dias de
descanso semanal já 60 dias após a promulgação da medida.
A proposta também prevê a redução gradual da
jornada semanal de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas, sem redução
salarial.
Pelo acordo anunciado pelo presidente da Câmara,
Hugo Motta (Republicanos-PB), a transição será feita em etapas. Primeiro, a
carga horária cairá de 44 para 42 horas semanais após 60 dias da aprovação
definitiva da PEC. Depois, a jornada será reduzida para 40 horas ao longo de um
ano.
Governo defende melhora na
qualidade de vida
Durante o anúncio do acordo, o ministro do Trabalho
e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a proposta representa uma resposta às
reivindicações de trabalhadores que relatam desgaste físico e emocional causado
pelas jornadas atuais.
“‘Nós estamos adoecendo, nós não estamos aguentando
mais. Nós precisamos de pelo menos duas folgas na semana’. Esse foi o grito da
classe trabalhadora”, afirmou o ministro.
Segundo o governo federal, a proposta busca
melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores sem provocar redução salarial.
Convenções coletivas terão papel
importante
O texto também prevê prazo de 60 dias para
adaptação das convenções coletivas de trabalho às novas regras após a
promulgação da PEC.
Setores com regras específicas deverão ter
regulamentações próprias por meio de projeto de lei posterior, permitindo
negociações conforme as particularidades de cada categoria.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a
proposta tenta equilibrar direitos trabalhistas e organização das empresas.
“Isso atende um apelo da classe trabalhadora,
também escuta o setor produtivo. Dá um tempo para que os setores possam se
organizar”, declarou.
Impacto nos microempreendedores
Outro ponto discutido pelo governo e pela Câmara é
a possibilidade de ampliar o limite de contratação para Microempreendedores
Individuais (MEIs), como forma de compensar os impactos da redução da jornada.
Atualmente, o MEI pode contratar apenas um funcionário.
A ideia em debate é ampliar esse número e também aumentar o teto anual de
faturamento da categoria.
Próximos passos
A PEC deve ser votada ainda esta semana na comissão
especial da Câmara e, em seguida, seguir para análise do plenário. Caso
aprovada pelos deputados, a proposta seguirá para o Senado Federal.
Se entrar em vigor ainda em 2026, a medida poderá
representar uma das maiores mudanças nas relações de trabalho no Brasil nas
últimas décadas.
Com informações da Agência Brasil.