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.: Terra 22.02.2010
Acampamento do MST é atacado pela milícia de ex-coronel
Por volta das 15h30 de sábado (13/2), o ex-coronel condenado há mais de 18 anos de prisão, Valdir Copetti Neves, tentou despejar à força as famílias acampadas na Fazenda São Francisco II, em Ponta Grossa (PR), que pertence a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A fazenda foi ocupada no dia 6 de fevereiro por aproximadamente 200 trabalhadores.

Do Brasil de Fato

O conflito teve início quando o ex-coronel e capangas armados cercaram o acampamento. Em uma foto tirada por integrante do movimento, Copetti (de camiseta azul) aparece ao lado de um homem armado. Em resposta à ofensiva, os trabalhadores sem terra se organizaram para pressionar a saída dos invasores. Durante o confronto, Copetti tentou intimidar as famílias alegando ainda ser o “mandante” da força policial da região. Os trabalhadores do MST conseguiram manter o acampamento e expulsaram o grupo, mas logo em seguida Copetti retornou acompanhado da filha e de um número ainda maior de capangas que atiraram contra os trabalhadores, além de ameaçar com carros, avançando sobre as pessoas em alta velocidade.


Ferimento causado pelo disparo feito por soldado da PMA Patrulha Rural Comunitária e o Batalhão da Polícia Militar de Ponta Grossa chegaram ao local pouco mais de 30 minutos depois do início do conflito. Policial-que-disparou-tiro-de-bala-de-borracha-contra------trabalhadorCom o discurso de amenizar a disputa, a polícia intermediou a negociação posicionando-se claramente favorável ao ex-coronel e agindo de forma violenta contra os integrantes do MST. Durante a negociação, o tenente Azevedo usou de postura grosseira para inibir os trabalhadores, exigindo conversar somente com representantes e impedindo os demais trabalhadores de se aproximarem. A posição dos policiais ficou explícita quando um deles, soldado Ronaldo, atirou com bala de borracha contra o trabalhador Davi.


Acima, o soldado Ronaldo, segundos após efetuar o disparo que feriu o trabalhadorA resistência dos trabalhadores sem terra resultou no fortalecimento da ocupação. Agora as famílias estão na maior parte da fazenda, enquanto o ex-coronel e seu grupo estão próximos da divisa com a Fazenda São Francisco I – área grilada por Copetti, que também pertence à Embrapa. A Polícia Militar permanece próxima do local onde ficou estabelecida a nova cerca. Para o MST, o caso da ocupação deve ser resolvido pela justiça, e não de forma violenta, como vem tentado o ex-coronel. A terra é já reivindicada pelo movimento desde 2004, e o processo de luta pela área resultou em três reintegrações de posse.

Ofensiva ruralista

Integrante-do-MST-atingido-por-policialDurante a semana passada o Sindicato Rural de Ponta Grossa, a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a União Democrática Ruralista (UDR) se reuniram para articular reação contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra em apoio ao ex-coronel.

Em dezembro de 2009, Valdir Copetti Neves foi condenado pela Justiça Federal a 18 anos e 8 meses de prisão, além da perda do posto na corporação e multa de R$ 20 mil. Os crimes pelos quais o ex-coronel deve pagar são o de formação de quadrilha, tráfico internacional de armas de fogo e de droga. Trabalhadores sem terra foram perseguidos e torturados pela milícia de Neves.

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