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.: Empregos 22.02.2010
Serviço e comércio abriram quase 70% das novas vagas no governo Lula
Desde o início do governo Lula, em 2003, foram criadas quase 9 milhões de vagas formais de trabalho no Brasil. Deste total, os setores de serviço e comércio são responsáveis por 68% dos novos postos. De acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o setor de serviço contratou 3,615 milhões e o comércio, 2,434 milhões. Em terceiro lugar e bem distante fica a indústria de transformação, com 1,714 milhão de novas vagas.

“Os números mostram que o emprego cresceu em setores onde a necessidade de investimento era menor. Além disso, a modernização das empresas dos setores de serviço e comércio fez com que trabalhadores que estavam no mercado informal entrassem para o mercado formal, o que acabou impactando os números do Caged neste período”, afirma o professor do Núcleo de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, Anselmo L. Santos.

Ele lembra que, para a indústria, o setor externo tem influência maior. “As crises internacionais, a alta do dólar em 2008 e um mercado asiático muito competitivo dificultaram os investimentos no setor industrial. O setor de serviço fica mais protegido destas oscilações externas. Fica claro que o emprego responde diretamente ao aumento de recursos aplicados no setor”, explica.

Santos destaca que na China e na Índia, onde os custos industriais são mais baixos, o processo de industrialização foi mais rápido. “Isso impactou o nível de empregos do setor e até mesmo o segmento de construção civil e infra-estrutura”, explica o professor da Unicamp. Ele conta que o Brasil ainda não foi beneficiado por um crescimento mais forte e sustentado por um período mais longo. “Quando isso acontecer por quatro a cinco anos seguidos, o mercado de trabalho na indústria terá um impulso surpreendente”, afirma.

Novas oportunidades

O professor da Unicamp tem perspectivas muito otimistas para o mercado de trabalho. “2010 será o melhor ano das últimas três décadas”, afirma. Ele acredita que os setores voltados para o mercado interno ainda vão puxar as contratações. “O aumento da renda da classe C, que tem impulsionado o consumo; as obras do PAC; e as obras ligadas às Olimpíadas e à Copa vão deixar o mercado interno ainda mais aquecido.”

Ele cita os setores de calçados, têxtil, material de construção e bens populares como oportunidades para quem vai ingressar no mercado de trabalho ou busca uma nova colocação. Santos destaca ainda o setor de petróleo como importante foco para contratações. “A exploração do pré-sal vai exigir mão-de-obra especializada. A Petrobras vai intensificar estas contratações”, prevê.

Vagas abertas desde janeiro de 2003

Serviços: 3.615.150
Comércio: 2.434.136
Indústria transformação: 1.714.232
Construção civil: 779.595
Agropecuária: 159.267
Administração pública: 82.137
Extração mineral: 60.185
Serv. Ind. Util. Pub.: 51.854
Outros: 945
Total: 8.897.501

Fonte: Último Segundo/Cláudia Ribeiro

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